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A vida do gamer é no mínimo curiosa. Adoramos desafios impostos nas fases e suamos as axilas para passar por diversos perrengues. No entanto, parece que, às vezes... Esfacelar a cara é tão satisfatório quanto a jogatina em si.

Eu digo, o game over é frustrante, naturalmente. Mas por que não transformar esse sentimento de culpa e “impotência” em algo ao menos lindo de se ver? Isso é o que acontece quando um iminente game over se converte numa animação – por vezes violenta – que é um verdadeiro colírio para os olhos.

A partir dessa perspectiva, muitos jogadores cumprem o objetivo inversamente e nadam contra a maré de propósito só para se deliciar nas criativas formas de se morrer. Há mortes bizarras, violentas, criativas, simples (porém originais), leves, fortes e até inacreditáveis. Afinal, como é que dá para imaginar que uma figura frágil, bonita e delicada como Lara Croft pode ter uma viga atravessada no pescoço?

Img_normalÉ, meu amigo... Nem tudo são flores.

Fizemos um apanhado de 12 jogos que merecem ser conferidos pela pura essência da curiosidade que o ser humano tem. Cuidado, pois ela matou o gato – e mata os gamers também, mas para o nosso deleite.

Estejam avisados de que todo o conteúdo daqui em diante tem spoilers. Mas não se preocupe: há títulos nostálgicos no acervo e não há detalhes sobre o enredo. Quando a morte sorri para nós, tudo o que podemos fazer é sorrir de volta. Ou melhor, admirar!

Tem como não citar esse aqui? Mortal Kombat é um dos precursores do debate sobre a violência nos games, ao lado de Doom, GTA (o primeiro é antigo, senhoras e senhores), Quake, entre outros. Os fatalities sintetizam a essência da carnificina que todos os games da franquia – todos, sem exceção – apresentam. Os que têm estômago frágil podem fraquejar com o vídeo adiante:

As desventuras de Leon S. Kennedy para resgatar a filha do presidente dos EUA em Resident Evil 4 têm doses cativantes de terror temperadas com mortes grotescas. Quem é que não se lembra do agente secreto tendo a cabeça decapitada por um ganado que mais parece uma cópia descarada de “Leatherface” (o genocida de “O Massacre da Serra Elétrica”)? Até o som do motor é memorável. Refresque a memória:

Impossível deixar de citar. A sensação de pavor era gradativa quando a musiquinha mudava de tom e acelerava o ritmo progressivamente nas fases aquáticas de Sonic the Hedgehog (e suas sequências no Mega Drive). E estamos falando da era 16 bits. Os jogadores talvez sentissem algo entre a claustrofobia e a agonia pelo desconforto de visualizarem o ouriço azul submerso e sem chances de saída. É desesperador:

Duvido que alguém não tenha feito isso. Sem querer ou por querer, o que impediria os jogadores de desferir um golpe numa das galinhas de Kakariko Village em Ocarina of Time? Um é pouco, dois é bom, três é demais e quatro é exagero. Após a quarta espadada, o animal cacareja em alto e bom som para alertar seus comparsas a golpearem Link impiedosamente até que o herói morra. Veja, cada bicada provoca um dano enorme: um coração inteiro da energia total!

  • Clock Tower para o SNES – mortes medonhas em 16 bits!

Clock Tower carrega um legado como um dos precursores do survival horror, digamos, “experimental”, pois a franquia apela para a boa e velha fórmula do suspense a fim de entregar ao jogador belas doses de sustos desde a era do Super Nintendo. A protagonista se depara com cenas que, para a década de 1990, são agonizantes:

A From Software não estava brincando quando disse que Demon’s Souls e seu sucessor espiritual Dark Souls seriam jogos que “muitos jogadores estranhariam”. O fato é que os dois games, cujo sucesso no ocidente chegou a ser colocado em xeque, apresentam um grau de dificuldade que poucos conseguem superar.

Mesmo os mais hardcore gastam suas sagradas horas transpirando para avançar por um trechinho besta que fosse. O sistema online foi bem pensado: os jogadores podem deixar mensagens – promissoras ou enganadoras – a outros que estiverem se aventurando por um determinado cenário para alertar sobre o que está por vir. E a diversão era justamente frustrar os outros – na mesma medida em que você se frustrou.

É tão fácil morrer em qualquer um deles que o vídeo adiante faz um compilado de 101 mortes possíveis em Dark Souls. E deve ser só a ponta do iceberg:

  • Tomb Raider – vigas atravessando o pescoço, esmagamento...

A frágil, doce e delicada Lara Croft nunca foi tão “torturada” quanto no último Tomb Raider, game que revitalizou a franquia ao contar a história da exploradora em sua fase jovem. Conhecida por ser dura na queda, a heroína mostrou sua faceta mais quebradiça em seu último jogo, sucesso de crítica e de público.

Uma das características mais marcantes foram as diversas mortes chocantes que acometem Lara. Vigas atravessando o pescoço, lobos devorando a garota viva e enormes pedregulhos esfacelando a cara dela são apenas algumas das mortes brutais do game. A equipe da Square Enix não poupou esforços para “chocar” os jogadores. Confira as cenas de morte no compilado a seguir:

  • Eternal Darkness: Sanity’s Requiem – banheira ensanguentada

Ok, esse foi um projeto da Silicon Knights que não vingou como deveria e tem vários clichês, mas resguarda algumas boas ideias e utiliza mecânicas pouco convencionais. Eternal Darkness: Sanity’s Requiem foi lançado para o GameCube num período em que poucas ideias inovadoras circulavam no mercado e supriu uma pequena demanda de jogadores apenas. Ainda assim, suas doses de horror são suficientemente memoráveis.

Não havia um protagonista definido: o jogador era conduzido por vários personagens que tinham um medidor de sanidade. Se esse medidor ficasse baixo (portanto insano), o jogador era convidado a passar por alguns horrores na tela: estátuas giram a cabeça para observá-lo na direção em que caminha, paredes sangram, uma banheira ensanguentada mostra um cadáver que é ninguém menos que... Você. Chocante, vejam:

Prático e funcional, The Last of Us não requer um “restart” ou coisa do tipo após uma falha do jogador, pois as mortes são inúmeras e frequentes – e muitas no mesmo lugar. A mais grotesca aparição de todas as espécies de infectados talvez seja Bloater, o “Nemesis” da Naughty Dog. A criatura representa uma vítima que se contagiou com o fungo Cordyceps há muito tempo. Ao ser capturado por essa aberração da natureza, o jogador é agraciado por uma animação singela e visceral: a mandíbula de Joel ou Ellie é simplesmente arrebentada. Pura aflição:

Bem, a natureza desse jogo responde por si só. A trilogia fez a EA ganhar respaldo no assunto terror e soma hoje uma enorme legião de fãs do gênero. Observem só a primeira morte do vídeo adiante, em que o protagonista Isaac Clarke falha ao matar um dos grotescos necromorphs. A criatura arranca a cabeça do herói e coloca a sua própria no corpo dele. A animação é longa e faz questão de mostrar ao jogador o preço que ele pagou por ter falhado:

Oddworld é uma franquia de relativo sucesso. Nascido no primeiro PlayStation, o game apresenta Abe, um alien verde que deve salvar seus companheiros de um trabalho escravo comandado por uma fábrica de regime totalitarista. Cativante, com boas doses de humor intercaladas por puzzles e cenários adequados para a proposta da franquia, Abe é capaz de usar poderes telecinéticos para controlar inimigos, fazê-los explodir e executar outras traquinagens. O remake do primeiro game é uma das promessas que devem aportar na PS4.

Curtiu a seleção? Nunca é demais lembrar que as “mortes” citadas neste artigo fazem parte de um universo infinito que é o dos games e que há inúmeras outras opções por aí.

Que formas de morrer marcaram sua jogatina?