*Este texto é de autoria do nosso cinegrafista Danilo Boros, que comprou o NES Classic Mini fora do Brasil e viabilizou a análise

É, meus amigos, a E3 está logo ali, o Switch já está aqui, mas a gente não podia deixar de passar a oportunidade de fazer este review. Vocês podem estar se perguntando: “Nossa, mas por que só agora, TecMundo?”. Pois, nós só conseguimos colocar as mãos no tão cobiçado NES Classic Mini agora, quase 4 meses depois do lançamento; o motivo? Vocês vão descobrir neste review!

Design e interface

A primeira coisa que grita aos olhos quando você tira o NES Mini da caixa é o seu tamanho: ele é MUITO menor que o NES original. Mesmo assim, o visual é idêntico ao do console de 1985 nesse formato de miniatura. Aí é claro que a entrada para cartucho é apenas um elemento visual e não serve para nada além de manter o estilo. Esse pedacinho de Nintendo acaba também sendo muito, muito leve.

Na parte da frente, você encontra os botões Power e Reset, e esses sim funcionam normalmente. Além deles, temos duas entradas de controle que usam o mesmo encaixe dos Wiimotes do Wii. Na traseira, apenas duas conexões: uma mini USB, para alimentação, e outra HDMI.

O NES Mini consegue se alimentar utilizando a entrada USB da própria televisão. Ou então você pode usar seu carregador de celular se precisar mesmo de uma tomada

O aparelho não vem com fonte, mas não se assuste. Na verdade, ele não necessita de fonte: apenas o cabo micro USB que está na caixinha já é suficiente. O NES Mini consegue se alimentar utilizando a entrada USB da própria televisão. Maneiro, né? Ou então você pode usar seu carregador de celular se precisar mesmo de uma tomada.

O controle incluso é praticamente igual ao original, com exceção do cabo, que é muito, mas muito pequeno, com apenas 77 centímetros. A ideia da Nintendo aqui é que você fique sentado logo à frente do aparelho, da mesma forma que era feito com os consoles japoneses da era 8 e 16 bits. Apesar de ser algo louvável, na prática o resultado é uma falta de opção que acaba sendo bem desconfortável. Tanto é que já existem várias fabricantes vendendo extensores de cabo por aí.

Ao ligar o NES Mini, damos de cara com uma interface muito bonita e simples que toca uma musiquinha bem divertida. As únicas opções de configuração ficam na parte de cima e são poucas. Apenas cinco, nada mais. Sem resolução, armazenamento externo ou qualquer outra coisa que faça você perder mais que alguns minutos antes de começar a jogatina.

Desempenho e games

Mas agora vamos ao que realmente interessa: os jogos. O NES Classic Mini vem com 30 games na memória. Saca só essa rápida seleção: todos os Super Mario Bros. do 1 ao 3, o primeiro The Legend of Zelda, Metroid, Mega Man 2, Excitebike, o primeiro Final Fantasy, Pac-Man, Castlevania, enfim... só clássicos. Claro que há alguns outros não tão famosos aqui no nosso Brasilzão, como Tecmo Bowl, considerado pelos norte-americanos como um dos melhores jogos do NES.

Praticamente todos os jogos rodam em 720p e 60 frames, sem possibilidade de você alterar isso. Se encontrar algum engasgo nos jogos e estranhar, acredite: é exatamente como eles aconteciam nas suas versões originais do Nintendinho.

E falando em rodar os jogos, fique tranquilo: eles rodam perfeitamente sem nenhum atraso no gameplay

E falando em rodar os jogos, fique tranquilo: eles rodam perfeitamente sem nenhum atraso no gameplay. No entanto, fique ligado na sua TV caso algum jogo esteja difícil demais e você erre os pulos toda hora. Pode ser que o input lag da televisão seja alto. Nesses casos, ativar o modo jogo ou o modo PC do seu aparelho é crucial. Afinal de contas, esses títulos foram feitos para as TVs de tubo, e muitos exigem uma reação mais rápida do jogador do que muitos games atuais. Ninja Gaiden, por exemplo, apesar de extremamente divertido, não é nenhum passeio no parque.

Se você quiser adicionar um toque retrô à jogatina, recomendamos experimentar o modo CRT, que simula um efeito de tubo de imagem. Ele não é perfeito, mas é muito legal. Os outros modos de imagem são 4:3 e “resolução original”. Esse último é bem curioso: ele deixa o jogo ainda mais nítido, mas acabamos estranhando um pouco em algumas TVs em que as barras laterais ficam ainda maiores. De qualquer forma, fica aqui esse comparativo entre os três modos.

E agora nós chegamos a um dos recursos mais interessantes, e até polêmicos, do NES Mini: o Save State. Muitos jogos do NES não tinham sistema de Save e recorriam aos “passwords” que anotávamos nos caderninhos. Agora você tem a possibilidade de salvar exatamente no ponto em que parou, com até 4 slots por jogo. Fazer isso é muito fácil: basta apertar o comando Reset, o botão físico na parte da frente do console mesmo, e escolher o slot. Se sua mãe te chamar para ir ao mercado, você não precisa mais deixar o console ligado porque chegou ao castelo do Dr. Wily.

Vale a pena?

Curtiu o review? Calma, porque a gente tem de colocar alguns pingos nos “is” ainda. Tanto o NES Mini quanto seu irmão japonês, o Famicom Mini, foram lançados em novembro de 2016 custando 60 dólares. Como a Nintendo não tem mais representação oficial no Brasil desde 2014, ficamos à mercê de alguns distribuidores que trazem o console de forma independente, e essa independência tem um preço alto, muito alto.

É difícil encontrar esse produto por menos de R$ 400 em território nacional, e há quem peça até R$ 650 em alguns lugares. Se você achar tanto o NES quanto o Famicom por menos de 300 pratas e for fã dos aparelhos originais, considere a compra sem medo de ser feliz. E mais: se você estiver em viagem ao exterior e conseguir encontrar o console pelos 60 dólares originais, aí sim, vai fundo, vale cada centavo.

Você percebeu que nós usamos os termos “se conseguir encontrar”, certo? Isso mesmo: o NES mini é mais uma vítima da tradicional prática da Nintendo de produzir seus produtos em quantidades limitadas. Mesmo lá fora, não é fácil encontrar o console. Mas essa pequena pérola tem um imenso valor nostálgico!