Monster Hunter é uma franquia consagrada no Japão e vem ganhado força no Ocidente nos últimos anos. A série o coloca no papel de um caçador que deve realizar diversas quests para aprimorar seus equipamentos.

O game é famoso por ser um MMO offline em que uma grande legião de fãs devotos gasta centenas de horas para conquistar as melhores armas e armaduras.

Continuando a onda de sucesso de seu predecessor, Monster Hunter 4 Ultimate veio ao Ocidente prometendo muitas novidades, quase o dobro de conteúdo, novas mecânicas de jogo, como o combate mais vertical, e um modo online para o 3DS.

Melhorias significativas em relação ao seu antecessor

Monster Hunter 3 Ultimate foi um ótimo jogo para 3DS e Wii U, e nos divertimos muito com ele. Contudo, ele possuía sessões aquáticas um tanto quanto maçantes. Não que elas fossem ruins, mas quebravam a ação contínua e envolvente da série em alguns momentos. Esse combate submerso foi retirado de novo título, colocando o combate ainda mais aprimorado nos holofotes novamente.

Tivemos a chance de jogar muitas horas de Monster Hunter 4 Ultimate de todas as maneiras possíveis: com o 3DS pequeno, com e sem circle pad pro e com o New 3DS. Não foi coincidência que a data de lançamento do título tenha sido a mesma do novo portátil. O C-Stick se provou uma excelente maneira de controlar a câmera e acertar combos no meio da batalha, e fica claro que o título foi desenhado para desfrutar de dois analógicos.

Apesar da Lock Camera funcionar muito bem sem um segundo analógico, a coisa complica quando há mais de um monstro na batalha. E quando ela não funciona bem, é difícil encontrar uma maneira adequada de não se perder no cenário. Utilizar a tela touch para isso exige muito tempo de adaptação – e, mesmo assim, a chance de errar o comando ainda é alta – e o D-Pad obriga você a parar de andar por um momento para usá-lo.

O hardware aprimorado do New 3DS também melhora algumas texturas, mas é preciso muita atenção e um olho clínico para notá-las. De uma forma geral, os gráficos estão mais bonitos e coloridos que em seu antecessor, com uma variedade maior – e mais criativa – de cenários. A melhoria mais significativa para mim foi a clareza visual aprimorada dos elementos dos mapas, pois agora é muito fácil distinguir o que é interativo.

Verticalidade no combate é bem-vinda

A adição de combates mais verticais causou preocupação no quarto game da franquia. Com quase uma dúzia de títulos, a série nunca havia abordado as batalhas por essa perspectiva, sendo algo exclusivo dos concorrentes, como God Eater. Monster Hunter nunca teve sequer a opção de pular, e as novas características criaram o receio de uma mudança radical na jogabilidade.

Bom, parece que a Capcom surpreendeu para melhor com tudo o que tinha. Caçar dragões, wyverns e quaisquer outras criaturas nunca foi tão bom. Em um primeiro momento, realizar ataques pulando e ocasionalmente montar nas costas de um monstro pode parecer um deleite visual que não adiciona muito ao game, mas basta jogar algumas horas – ou menos – para perceber o quanto isso melhorou a dinâmica de combate.

Os golpes aéreos são mais fortes, podem derrubar a criatura mais facilmente e, ocasionalmente, criar a oportunidade de montar no monstro. Esse tipo de ação funciona como um minigame para o caçador, no qual você deve encher uma pequena barra na parte inferior da tela. Pressione o botão X enquanto o inimigo estiver "quieto" para preenchê-la e R para se agarrar e não cair quando o inimigo se agitar para removê-lo de suas costas.

Essa nova mecânica de jogo tem três propósitos: quando um jogador aciona essa animação, os outros podem aproveitar o tempo para usarem itens ou baterem no monstro – o animal ainda causa dano quando está agitado; atingir o monstro dessa forma facilita quebrar as costas dele (parte difícil de acertar); por último, há a possibilidade de ganhar um item brilhante, como wyvern tears.

Pequenos detalhes voltaram a ter mais atenção

Você se lembra dos gatinhos de Monster Hunter? Eles se chamam Palicos e voltaram com bastante atenção na nova entrada da série. O fato de não poder personalizar os shakalakas de Ultimate 3, tanto os nomes quanto os equipamentos, causava incômodo. Se você também sentia falta, pode ficar feliz: a mecânica utilizada em Portable 3rd está de volta.

Entrando em detalhes, é possível ter diversos palicos com o nome e os equipamentos que você quiser. E o melhor é que as armaduras e armas deles são criadas com itens adquiridos em quests especiais dos próprios gatos, que funcionam como uma espécie de minigame – diferente de Freedom Unite, em que você tinha que usar as suas recompensas de caça para forjar acessórios aos palicoes.

Cada um dos gatos possui especialidades distintas, como cura, aumento de armadura etc. Eles são especialmente úteis em todas as quests, pois atraem a atenção do monstro e coletam materiais nos cenários. Caso você se canse dos seus companheiros peludos, basta utilizar o modo multiplayer, que pela primeira vez possui uma opção online em um portátil.

O sistema de tutorial ficou muito mais amigável, já que quase tudo possui uma descrição detalhada ou um diálogo com NPCs que ensinam a você algumas nuances de Monster Hunter. Os decorations são exemplos disso, pois muitos jogadores novatos deixavam de utilizá-los por não saberem do que se tratava. Em Ultimate 4, todos os elementos são explicados de maneira mais intuitiva e, muitas vezes, sem utilizar textos enormes.

Monster Hunter no auge

Se observarmos bem, Monster Hunter funciona em forma de "temporadas". De um título ao outro, a temática muda e traz consigo algumas adições, como novas armas, monstros e pequenas mecânicas, sem alterar a estrutura básica. Novidades são bem-vindas, mas sentimos falta de um inimigo ou outro quando adquiria um novo game da série.

Entretanto, o quarto título se supera nesse quesito com uma seleção de 75 criaturas, 14 armas, diversas vilas (algo inédito na série) e cenários variados. Sem sombra de dúvida, é um conjunto que agrada a gregos e troianos.

Os novos armamentos são interessantes, em especial a charge blade, uma mistura devastadora entre Sword and Shield e Change Axe, que proporciona ataque, mobilidade e defesa altos. O tempo com o Insect Glaive agradou muito pela versatilidade e combinação de ataques de curta e longa distâncias, além de investidas que possibilitam que o personagem pule.

A Insect Glaive não é a única arma que possui pulos no meio dos ataques e que explora a nova verticalidade de Monster Hunter. A maior parte das armas sofreram alterações suaves, como o novo golpe com o botão R da Longsword e o pulo da Lance.

Nunca foi tão bom começar um Monster Hunter

A série é conhecida pelo começo lento e entediante, uns dos principais motivos pelos quais os novatos se afastam do jogo. Convenhamos: as primeiras horas não são atrativas nem para os veteranos.

Entretanto, Monster Hunter 4 muda muito esses aspectos. As quests para coletar recursos são mais rápidas, e em poucas horas já é possível enfrentar um Gore Magala com força reduzida, nos dando uma verdadeira sensação de progressão rápida.

Os novos monstros possuem um excelente design, tanto estético quanto nas mecânicas de jogo. É muito divertido enfrentar a maioria das novas criaturas, pois exploram mais a verticalidade que os outros. O Seltas Queen, por exemplo, força você a espantar um Seltas – uma espécie de inseto voador gigante – das costas dele, pois quando estão unidos, aumentam a dificuldade. O mesmo pode ser dito do Kecha Wacha, que se pendura em vinhas e fica acima do solo.

Como o inseto fica muito acima do nível do chão, você deve utilizar as elevações para pular e acertá-lo. Essas novas táticas são interessantes e bem criativas. A forma convencional de matar os inimigos ainda está presente e funciona tão bem quanto nos predecessores, mas são os monstros que lhe ensina a aproveitar o novo eixo do game.

Você se lembra das histórias dos outros títulos da franquia? Apostamos que caso se lembre, é bem pouco. Monster Hunter nunca explorou muito a narrativa, mas sempre teve um background incrível. Desta vez, a história é mais bem apresentada, progredindo junto com o personagem. Não é nenhuma experiência extraordinária, mas já é muito melhor que seus games anteriores e o suficiente para manter a curiosidade pelo mundo do jogo.

Sensacional, mas não está livre de pequenos problemas

Combate aprimorado, excelentes mecânicas de jogo, novas armas e monstros, um modo online e o refinamento de tudo o que já vimos antes. O que mais poderíamos pedir de Monster Hunter? Por melhor que seja tudo isso, o jogo não escapa de alguns pequenos problemas.

O combate vertical é muito bom, mas ocasionalmente você vê monstros presos nas plataformas acima do nível do chão. O glitch não afetou negativamente a experiência, mas sempre esteve presente.

Se você jogou algum título anterior, já deve ter pensado em algum momento: "Nossa, que mentira! Esse golpe não deveria ter me acertado". Isso frequentemente obrigava os jogadores a investirem em decorations de evasão para balancear o combate. A boa notícia é que as hitbox das criaturas mais antigas melhoraram muito. Entretanto, as novas ainda sofrem com o mesmo problema.

O ponto que mais desagradou foi a retirada da fazenda para coletar materiais. O modelo utilizado em Monster Hunter Freedom Unite e Portable 3rd eram sensacionais e proviam muitos recursos relativamente "chatos" de serem recolhidos nos cenários. Esse elemento foi substituído por uma mercadora, que troca pontos de guilda – coletados em subquests ou no modo exploração – por itens menos variados do que os encontrados nos predecessores.

Vale a pena?

Se você é um novato e não curtiu o que viu nos jogos passados ou que sempre teve interesse, mas nunca jogou, talvez encontre aqui a oportunidade perfeita de começar a aproveitar a série. Caso você seja um veterano, encontrará novas mecânicas que adicionam dinamismo e variedade ao que já conhece, além da maior seleção de monstros até o momento.

Algumas alterações foram feitas, a maioria para melhor e algumas poucas para pior. A retirada do modo aquático pode soar como um ponto negativo em um primeiro momento, mas o combate vertical se provou como um substituto muito melhor para explorar novas estratégias. Uma pena que a fazenda de itens da vila tenha sido retirada, pois supria muito melhor o papel de conseguir itens “chatos” de serem coletados.

Uma proposta mais acessível, hitbox refinadas, novos monstros, armas e equipamentos são elementos que garantem a compra certa para fãs e tornam o game excelente para iniciantes. O modo online efetivo veio para colocar o ponto final na divertidíssima experiência multiplayer da série e consolidá-la como uma das melhores da atualidade quando o assunto é cooperação.

Resumidamente, Monster Hunter oferece uma experiência única, com centenas de horas de diversão. Os pequenos glitches existem, e há coisas que podem ser melhoradas, sem dúvida, mas elas não vão te afastar do game. No fim, a série prova mais uma vez todo o seu carisma e imersão com novos elementos que mesclam perfeitamente com os antigos.

Este jogo foi gentilmente cedido pela Capcom Brasil para a realização desta análise.