Este é um artigo pessoal e as opiniões desta matéria não necessariamente refletem a opinião do TecMundo Games.

O Nintendo Switch finalmente chegou e, com ele, vieram toneladas de perguntas. “Quão poderoso é o console?”, “Os controles são confortáveis?”, “O Switch é bonito como parece?”, “A bateria dura bastante?” e muitas outras questões como essa já foram respondidas na análise recentemente feita por meu colega Felipe Gugelmin.

Uma pergunta ainda mais profunda, porém, ficou a ser respondida: a Nintendo fez uma boa escolha ao apostar em um console com uma proposta tão curiosa?

Foi pensando nisso que eu e Bruno Micali (o Big Boss do TecMundo Games) resolvemos criar duas colunas para analisar e debater essa pergunta. E, como você deve ter percebido pelo título, não estou entre aqueles que acharam a escolha da Nintendo uma boa ideia.

Antes que os nintendistas venham com seus Wiimotes e Nunchucks, faço mais uma pergunta: você consegue imaginar o Switch sendo seu único console ou mesmo seu console principal? É bem provável que a maioria responda um sonoro “não” – o que não deveria acontecer se esse dispositivo fosse tão bom quanto muitos gostariam.

De nada adianta inovação sem jogos de peso

Que a verdade seja dita: o Nintendo Switch é sim um aparelho bastante inovador, que finalmente conseguiu cumprir o conceito proposto originalmente com o Wii U. Mas isso não quer dizer que a empresa trouxe o que nós queríamos.

O fato é que, nos últimos anos, os fãs da Nintendo não pediram por novas maneiras de usar seus controles de movimento, nem para ter um console que pode ser facilmente levado por aí para você jogar no parque ou desafiar seus amigos durante uma pausa na quadra de basquete. E não, não precisamos de um Wii Sports ou mais uma dezena de party games que são esquecidos depois da primeira partida.

Nesse caso, o que os fãs querem? Justamente o contrário: um console que abandona todos esses elementos que fazem dele um “brinquedo” para ser um aparelho poderoso o suficiente para competir com o PS4 e o Xbox One, contando com todos os serviços e vantagens deles, mas com os games da Nintendo.

Uma das maiores provas sobre como esses gimmicks mais atrapalham do que ajudam, de fato, foi no desenvolvimento do próprio Breath of the Wild, o carro chefe do Switch/Wii U e o game que, até recentemente, tinha a melhor avaliação da história dos jogos. Recentemente, um dos desenvolvedores do título revelou ao IGN que o jogo originalmente teria comandos pela tela de toque, mas estes foram abandonados justamente por atrapalharem o gameplay.

Nesse caso, o que os fãs querem? Um console que abandona todos esses elementos que fazem dele um 'brinquedo'

Se isso não for suficiente, basta então pensar em Star Fox Zero, que usou tudo o que as duas telas do Wii U tinham a oferecer e acabou se tornando um fracasso unânime da crítica exatamente por isso. Afinal, usar todos os botões de um controle já é difícil o suficiente.

Um console só para exclusivos, de novo?!

“Mas TecMundo Games, a Nintendo já prometeu um monte de jogos multiplataforma para o Switch”, muitos devem pensar isso ao ler o tópico acima. Pois bem, temos títulos fresquinhos como... Skyrim... Ou The Binding of Isaac... E também Minecraft. Ou jogos novinhos incrivelmente esperados como... LEGO City Undercover... E NBA 2K18. Percebe o problema aqui?

Quanto aos games multiplataforma que vão passar longe do Switch, bem, já temos alguns nomes. Mass Effect, Red Dead Redemption, Injustice 2... Sim, a lista é realmente longa.

Você sabe que um console está com problemas quando seu carro-chefe é do console anterior

Infelizmente, parece que a Nintendo vai, mais uma vez, utilizar a mesma tática que usou com o Wii U: trazer alguns jogos multiplataforma em versão inferior (afinal, o hardware desse console perde para o PS4 e o Xbox One) nos primeiros meses e esquecer disso mais tarde. Assim, vamos ser deixados apenas com os títulos exclusivos do Switch e... FIFA?

A boa notícia é que, segundo a Nintendo, teremos uma onda constante de games exclusivos chegando ao console – algo que ela aprendeu depois de errar com seu video game anterior. Por outro lado, isso mostra que a empresa está repetindo a mesma falha de seus últimos aparelhos, e essa tática tem tudo para resultar no mesmo problema de antes.

A Nintendo e seus problemas com o mundo moderno

Outro ponto que não pode ser deixado de lado é como a Nintendo continua sofrendo com seu jeito antiquado de ser ao lidar com seus serviços. Assim como notado na análise que fizemos do console, o Switch veio com um software incrivelmente limitado, praticamente sem opções para configurar, aplicativos ou outras alternativas que se tornaram básicas em qualquer video game da última década.

A Nintendo não só continua errando em tudo o que sempre reclamamos, mas também passou longe de acertar em tudo o que trouxe de novidade

Está certo que, em boa parte, a Nintendo prometeu trazer tudo o que queremos eventualmente, como é o caso do bom e velho Netflix ou do novo sistema de contas da empresa, que não é tão limitado quanto antes. Mesmo assim, o simples fato de isso não estará disponível já de início é motivo para preocupação.

Ao mesmo tempo, todas as “vantagens” oferecidas por esse aparelho vieram com uma tonelada de novos problemas que não existiam antes. Basta ver nossas últimas matérias sobre o console para ficar claro que o Switch já apresentou uma quantidade enorme de defeitos desde o lançamento, como riscos e controles que não se conectavam; já o Wii, por exemplo, tinha como maior problema ser resistente até demais.

Tudo isso, por sua vez, culmina em uma única frase: a Nintendo não só continua errando em tudo o que a gente sempre reclamou, mas também passou longe de acertar em tudo o que trouxe de novidade.

Um mundo de possibilidades – para bem e para mal

Apesar de tudo o que disse antes, ainda é muito, mas muito cedo para podermos dizer qual é o futuro do novo console da Nintendo. Afinal, a empresa pode: lançar novas versões do aparelho que corrijam todas as falhas do hardware; manter a promessa de trazer uma enxurrada constante de exclusivos; ganhar tanto multiplataforma quanto seus concorrentes; e ainda garantir um sistema interno cheio de aplicativos extremamente úteis.

Entretanto, vendo as escolhas da Nintendo até agora – não só para o Switch, como também para seus consoles mais antigos –, convenhamos que é bem mais lógico colocar as fichas contra o novo aparelho da Big N. Isso não quer dizer, claro, que eu não pretendo comprar um Switch, mas, como disse antes, ele ainda vai continuar sendo minha plataforma “secundária”.

Para fechar a matéria, deixamos a pergunta: você acha que o Switch foi um passo na direção certa ou errada? Não se esqueça de conferir o outro lado dessa coluna no TecMundo Games e deixar seus comentários para nos ajudar a chegar a uma resposta.