No início dos anos 2000, um grande “boom” tomou conta da cultura, não só brasileira, mas mundial: o eSport. Ou pelo menos o início dele. Apesar de não parecer na época, o cenário competitivo de jogos aumentaria muito nos próximos anos e era preciso descobrir uma forma de apresentá-lo ao público de uma maneira bacana e entretida. Esse foi e continua sendo um dos grandes desafios das plataformas de streaming.

Há pouco tempo tivemos a chance de conversar com Ian Sharpe, o CEO da Azubu, que nos contou um pouco sobre o crescimento do segmento, a situação da competição no Brasil e um pouco dos planos da empresa para o futuro.

O que é a Azubu?

O nome Azubu pode ser familiar mesmo para pessoas que não acompanham o cenário competitivo do mundo dos games. O serviço – que é relativamente jovem, principalmente no Brasil – oferecido pela companhia é o de acompanhar grandes nomes e personalidades do eSport, seja em torneios, treinos ou partidas.

A ideia lembra algo? Talvez você se lembre do Twitch, uma das referências do mercado, ou até mesmo o estreante YouTube Gaming. Contudo, o que faz da Azubu diferente das demais? Essa informação é o grande destaque da companhia e algo que pouca gente conhece: “streamar” pela plataforma não é só diversão, é também uma oportunidade de emprego no ramo do eSports, diferente do quesito “gameplay” das demais.

O serviço da Azubu não era aberto para todos até pouco tempo atrás, pois você devia conversar com algum representante da companhia e demonstrar o seu conteúdo e relatar a quantidade de seguidores que você tem. Caso o seu carisma e quantidade de fãs fossem bons – que não necessariamente precisava estar na casa dos milhares –, você podia transmitir as suas partidas e ganhar mensalmente por isso.

Esse modelo ainda existe, mas agora a plataforma de streaming é mista, combinando canais que a Azubu incentiva e com canais de qualquer pessoa que queria criar uma conta no serviço – igual ao que ocorre nos demais aplicativos de transmissão. O destaque é que a empresa está sempre buscando por novos talentos para firmar parcerias.

Esta maneira diferenciada pode não ser acessível para todos, mas certamente torna mais próximo o sonho de ser um jogador profissional, quebrando parte das barreiras enfrentadas por outros segmentos, como artistas ou até mesmo atletas. Em outras palavras, a Azubu oferece – de certa forma – uma oportunidade mais fácil de transpor alguns problemas enfrentados por pessoas que querem entrar no ramo, mas sofrem com a dificuldade e preconceito ainda existentes na cultura gamer.

O crescimento no Brasil e a cultura passional

A Azubu, que era inicialmente uma empresa coreana, começou a expandir há alguns anos e conquistou um grande espaço no mercado, incluindo o Brasil. O nosso país é, inclusive, um caso especial para a companhia: uma a cada três pessoas que assistem a plataforma é brasileira, diz Ian Sharpe.

No país desde março de 2015, a plataforma de streaming com foco em eSports conquistou o público ao firmar parcerias com grandes times nacionais, como a Pain Gaming e a INTZ. Desse ponto surgiu um dos grandes pontos da fórmula de sucesso da expansão da Azubu no Brasil: a paixão dos brasileiros.

Durante o bate-papo com o CEO da empresa, Ian nos contou como o povo tupiniquim é passional com os seus ídolos, ou seja, como o público os segue onde quer que vão. Esse acordo com as grandes equipes consagrou a plataforma no país, tanto em termos de número de “telespectadores” quanto de interessados em ingressar a Azubu como um profissional do ramo.

O modelo deu tão certo no Brasil que a companhia estuda como implementar ou adaptá-lo em outros países, como a Índia. Sem dúvidas, com tamanho sucesso por aqui, os planos são de adotar novas formas de expandir a influência e popularidade da plataforma de streaming, como foi o caso da parceria para sediar campeonatos na Arena MAX5.

Novas formas de ver e apresentar o eSport no futuro

Quer você goste, se interesse ou aprecie o assunto, o eSport é uma categoria que está constantemente em crescimento. Todavia, assim como todo o cenário em si, o modo como o público reage e interage a ele é muito volátil e está constantemente mudando. Segundo Sharpe, a Azubu tem ciência disso e já pensa em novas maneiras de tornar esta forma de mídia em algo cada vez mais próximo do entretenimento convencional.

De acordo com o CEO da plataforma de streaming, as partidas e campeonatos são muito mais do que apenas demonstrações de habilidades dos jogadores: há uma história a ser contada ali, só é preciso saber como explorar isso em uma forma de narrativa. Assim como em qualquer outra modalidade competitiva, há encontros de revanche, existem times pequenos que surpreendem ao chegarem às finais contra outros grandes e assim por diante.

O conceito é similar ao conceito do WWE americano: não é apenas a "luta", pois a plateia se empolga com as histórias de cada oponente e torce para cada um deles por motivos distintos, seja ele o herói, anti-herói ou vilão. Entretanto, no caso da Azubu, os confrontos são de verdade e não apenas teatro.

Tornar uma experiência emocionante para quem assiste é só uma questão de interpretação, que pode ser empolgante até mesmo para pessoas que não conhecem o ramo dos eSports. Pensando nisso, Sharpe diz que a Azubu que estar presente em todas as plataformas possíveis, como os consoles da nova geração, por exemplo, que ainda não contam com um aplicativo da plataforma.

Outra ideia é a de apresentar uma interface mais aprimorada e recheada de informações relevantes, como estatísticas e gráficos didáticos que possam situar os espectadores sobre o que está acontecendo na partida. Diferente do futebol, que é fácil entender quem está ganhando pelo placar, um MOBA pode ser bem mais complicado que isso. O intuito é demonstrar de uma maneira fácil o que acontece.

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Além disso, a Azubu já estuda uma forma de ter uma segunda tela para o streamer organizar melhor os dados que quer apresentar durante a transmissão, facilitando a vida do apresentador de conteúdo. Independentemente do que o futuro reserva para este segmento em crescimento explosivo, uma coisa é certa: a Azubu está de olho e quer fazer parte do cenário competitivo.

Via TecMundo.