Não há dúvidas de que cada vez mais desenvolvedores independentes estão se destacando na indústria dos jogos, e entre eles possivelmente podemos encaixar Kan Gao, produtor que fundou a Freebird Games há alguns anos e que teve seu nome projetado aos quatro cantos do mundo com o lançamento de To the Moon

O game atraiu a atenção do público graças ao enredo tocante e a combinação de trilha sonora bem-feita e jogabilidade simples. Esse, aparentemente, será o mesmo caminho tomado por Finding Paradise, próximo título que levará o nome de Gao e que tem seu lançamento aguardado para algum momento entre o final deste ano e o começo de 2017. 

Para saber mais sobre as suas inspirações e aquilo que podemos esperar de Finding Paradise, a equipe do TecMundo Games teve a oportunidade de conversar com o produtor. Confira o que ele nos falou a seguir: 

TecMundo Games: Quando você decidiu abrir sua própria empresa e começar a desenvolver games?

Kan Gao: Comecei a desenvolver jogos há cerca de uma década, mas isso [abrir a empresa] não aconteceu até eu fazer alguns games que havia criado como hobby receberem o selo “Freebird Games”. 

TCG: To the Moon é um de seus jogos mais famosos. De onde veio a ideia para escrever uma história como a vista neste game?

Gao: Naquele período, meu avô estava hospitalizado por conta de um problema no coração. Isso me fez pensar bastante sobre mortalidade, e eu comecei a refletir se, algum dia, eu teria algum arrependimento ao final da minha vida. Foi assim que surgiu o conceito do jogo, mas para a história completa de River e Johnny [os protagonistas de To the Moon] tudo surgiu a partir da última cena que acontece antes dos créditos.

TCG: Sobre To the Moon, muitas pessoas dizem que é o jogo mais emotivo que já experimentaram, alguns até choram em gameplays que podemos ver por aí (eu não chorei, mas pensei na minha vida por dois dias). Esse era o sentimento que você gostaria de passar com o game?

 Gao: Apesar de eu estar honrado por muitas pessoas terem sido afetadas pelo game dessa forma, certamente nunca foi minha intenção fazer um jogo que levasse as pessoas a chorar. No fim das contas, tudo o que eu queria fazer era algo que tivesse algum significado para o público e que fosse simples e, ao mesmo tempo, fundamentado. Espero que algumas pessoas tenham sentido isso por conta desses dois pontos. 

TCG: Você consegue se ver em algum dos personagens de To the Moon ou de outro jogo no qual trabalhou?

Gao: Certamente, tudo fica mais natural quando você escreve de um ponto de vista que você já conhece. Particularmente, eu provavelmente diria que tenho um pouco de Dr. Watts e até mesmo um pouco de River, apesar de não compartilhar sua condição. 

TCG: Falando sobre outros jogos, A Bird Story é um pouco diferente de muitos títulos que temos por aí por não possuir uma linha de diálogo. Por que você decidiu seguir esse caminho?

Gao: Esse foi um jogo diferente, e percebi que a história que ele contava não precisava de diálogos. Eu também me senti atraído por histórias sem conversas, como na primeira parte de “WALL-E”, então decidi tentar algo do tipo. No fim das contas, as coisas foram mais difíceis sem utilizar ângulos de câmera e detalhes como zoom e expressões faciais, mas aprendi muito [com a experiência].

TCG: Teria sido possível contar a história de A Bird Story em Finding Paradise?

Gao: Acredito que não, pois Finding Paradise tem sua própria história e não possui nenhuma cena de A Bird Story em sua maior parte. Há mais contexto para aqueles que jogarem A Bird Story, mas ele não é obrigatório para entender o enredo de Finding Paradise. 

TCG: Agora que acabei de mencionar Finding Paradise, o que os jogadores podem esperar do jogo?

Gao: Diferente de A Bird Story, Finding Paradise é um jogo com o mesmo formato de To the Moon. Em termos de tempo de jogo e forma de contar a história, poderia dizer que são bem parecidos – porém, em alguns momentos ele apresenta uma perspectiva bem diferente da filosofia e do conceito da Sigmund Corp. 

TCG: Analisando o teaser, parece que o personagem principal de Finding Paradise terá uma vida diferente se comparada com a de Johnny (de To the Moon), especialmente pelo fato de que ele vai ser pai. O que mais podemos esperar do novo protagonista?

Gao: É difícil falar sobre isso sem dar muitos spoilers, mas posso antecipar que uma das coisas mais importantes sobre ele é que possui conhecimento do que está acontecendo ao entrar em contato com a companhia em que Dr. Watts e Dra. Rosalene trabalham. 

TCG: Um dos momentos mais marcantes de To the Moon foi a cena em que podíamos ouvir “Everything’s alright”, interpretada por Laura Shigihara. Ela está trabalhando com você em Finding Paradise?

Gao: Isso é algo que ainda não está formalizado, mas a possibilidade existe. 

TCG: Você pretende explorar mais o passado de Dra. Rosalene e Dr. Watts em Finding Paradise? Eu fiquei curioso com aqueles flashes que apareceram depois que Watts tomou um medicamento em To the Moon...

Gao: Haverá mais coisas a serem contadas nesse sentido, algo essencial em uma futura retrospectiva, mas que talvez seja sutil no momento. Falando nisso, para aqueles que quiserem saber mais sobre o arco envolvendo os dois doutores, os dois DLCs gratuitos lançados nos últimos anos são mais que recomendados. 

TCG: Talvez ainda seja um pouco cedo, mas o que podemos esperar de você para o futuro? Há planos de trabalhar em mais jogos?

Gao: Sim. Eu adoraria trabalhar em um jogo de horror psicológico no futuro. Na verdade, eu tenho um em mente, mas talvez ele seja mais um jogo envolvendo mistério, assassinato e possíveis viagens no tempo do que horror. Acredite ou não, ele está conectado com To the Moon e Finding Paradise de alguma forma (mas não se preocupe, os doutores não vão ser assassinados).

To the Moon foi um dos melhores games independentes que você já jogou? Quais são as suas expectativas para Finding Paradise? Comente no Fórum do TecMundo Games