Ser um competidor de video games no Brasil não é algo fácil. Enquanto jovens disputam pela oportunidade de jogar League of Legends profissionalmente nas acirradas ligas da Riot Games, os jogadores de outros títulos competitivos ainda sofrem para encontrar competições atrativas e com grandes premiações dentro do território nacional.

Nos games de luta, em especial, são poucas as oportunidades para os jogadores se encontrarem e disputarem torneios de alto nível. As exceções para essa regra ficam com Street Fighter V, que hoje conta com o Brasil integrando a Capcom Pro Tour, e a franquia Smash Bros, que se destaca por uma comunidade muito unida e ativa em várias partes do Brasil.

Outros títulos de luta ainda sofrem para encontrar o seu espaço dentro do eSport nacional. A série Mortal Kombat, conhecida entre os gamers brasileiros, contou com um cenário muito ativo nos campeonatos do gênero durante o lançamento de Mortal Kombat 9. No entanto, o mesmo não aconteceu com a sequência da marca, embora alguns competidores nacionais tenham conquistado importante destaque ao redor do mundo.

Nesta semana, o TecMundo Games entrou em contato com um dos jogadores brasileiros mais conhecidos nas competições internacionais de Mortal Kombat X, Bruno “KillerXinok” Henrique. Estudante de Engenharia Mecânica e com 22 anos, ele nos contou um pouco das dificuldades da sua vida como competidor, da ausência dos campeonatos no Brasil, dos eventos que já participou fora do país e de muitos dos detalhes que cercam o jogo atualmente. Confira o resultado logo abaixo e não perca o “Finish Him!”

TecMundo Games: Como foi a sua primeira experiência competitiva dentro dos video games?

Bruno “KillerXinok” Henrique: Eu comecei jogando casualmente e online no Mortal Kombat 9. Depois de um tempo, eu me destaquei pela internet e conseguia ganhar de quase todos os jogadores nesse modo, tendo um ranking de 7.800 vitórias e 2.200 derrotas no jogo. Com isso, alguns amigos meus começaram a me falar de campeonatos, que eu poderia ir bem pelo jeito que eu me saía nas lutas.

Em junho de 2012 resolvi ir ao meu primeiro campeonato, sediado na Lan House X-Revolution em São Paulo, e fui com meu irmão e uns amigos. O nervosismo era enorme, nunca tinha passado por algo parecido. Minhas mãos tremiam, mas eu queria estar ali de qualquer jeito. Ganhei minha primeira e segunda luta de dois a zero. Porém, na terceira rodada, eu enfrentei um dos melhores jogadores da época, o Mr. Felipe, que me desbancou de dois a zero.

Fiquei para assistir o resto do campeonato e fiz muitas amizades por lá. Logo depois, fui pra casa com mais conhecimento do jogo e pronto pra treinar mais.

Isso é o que faz alguém melhorar em algum jogo de luta: saber o que fazer em cada situação e contra cada personagem do jogo.

TecMundo Games: O que você mais gostou no Mortal Kombat X?

Bruno: Gostei da movimentação do jogo. É um ótimo jogo para a aplicação de "footsies" (espaçamento dos golpes), e a volta das corridas abriram possibilidades de melhores combos e melhor controle na luta.

TecMundo Games: Você já jogou outro game competitivo além de Mortal Kombat? Se sim, porque você acha que teve mais sucesso no MKX?

Bruno: Competitivamente eu joguei Injustice, e tive tanto sucesso quanto no Mortal Kombat. Eu gosto dos jogos da Netherrealm, mas vou tentar a sorte quando lançar o King of Fighters XIV (haha).

TecMundo Games: Se você pudesse mudar alguma característica de Mortal Kombat X, o que seria?

Bruno: Os "wakeups" (golpes executados assim que o personagem levanta do chão) deveriam ter um tempo curto invencibilidade como era no Mortal Kombat 9. Isso possibilita sair de pressões mais facilmente. No MKX não existe invencibilidade nos wakeups.

TecMundo Games: Como é a sua rotina de treinos?

Bruno: Eu procuro sempre entrar no modo de treino quando inicio o jogo, testando coisas novas contra algum personagem específico que eu tenha dificuldade de lutar. Isso é o que faz alguém melhorar em algum jogo de luta: saber o que fazer em cada situação e contra cada personagem do jogo.

Sempre procure jogar com alguém melhor que você. Isso ajuda demais no desenvolvimento do jogador.

TecMundo Games: Não há mais tantos campeonatos presenciais de Mortal Kombat X no Brasil quanto antes, no Mortal Kombat 9. Você acha isso ruim para um competidor?

Bruno: Sim. Apesar da cena estar voltando agora, é difícil pra quem gosta de participar desses eventos ficar sem isso. Muitas amizades são feitas em torneios, além da premiação que é um ótimo incentivo.

No Brasil ainda é difícil se manter somente de campeonatos, mas creio que esse cenário está mudando com o passar dos anos.

TecMundo Games: Nesse ano, você já participou de dois grandes eventos de Mortal Kombat X fora do país (KIT 16, nos EUA, e a Masters Challenge, no Chile). Como foi a experiência nesses dois eventos? O que você aprendeu por lá?

Bruno: Quando fui ao KIT foi uma experiência incrível. Conheci muitos dos melhores jogadores dos Estados Unidos que não havia conhecido ainda. E ganhei de muitos deles no campeonato (haha).

O nervosismo de estar sozinho por lá sem outro brasileiro para apoiar nas lutas é complicado, mas consegui jogar bastante e aprender sobre o estilo de jogo deles, que está bem nivelado com o da América do Sul.

TecMundo Games: Você também confirmou que participará da EVO 2016 e representando o Brasil! Quais são os maiores desafios que encontrará por lá?

Bruno: O maior desafio em um campeonato sempre é lutar contra o próprio nervosismo. Ainda mais campeonatos internacionais, onde você tem em mente que se perder ali volta pra casa na hora. Mas dessa vez vou com outro jogador brasileiro e creio que vamos ir muito bem nessa.

No Brasil ainda é difícil se manter somente de campeonatos, mas creio que esse cenário está mudando com o passar dos anos.

TecMundo Games: Você tem algum jogador que você se inspira?

Bruno: Pra ser sincero, não tenho. Eu tento criar meu próprio estilo de jogo. Não gosto muito de ficar copiando outros jogadores, mas sempre respeito o nível deles.

TecMundo Games: Sonic Fox já é tricampeão mundial de Mortal Kombat X. O que você acha mais surpreendente nele?

Bruno: A astúcia e as reações desse jogador são incríveis. Ele é com certeza um fenômeno não só no Mortal Kombat, mas ele é dominante no jogo SkullGirls e no Dead or alive também.

TecMundo Games: Qual foi o momento mais emocionante da sua vida como competidor?

Bruno: O mais emocionante foi quando ganhei três video games ao vencer três campeonatos em dois dias!

Mas o que me motiva nesse cenário é ser reconhecido em cada campeonato que eu vou, tanto nos Estados Unidos quanto aqui, nos países da América do Sul. E também receber convites de jogadores russos pra eu participar lá. É muito gratificante.

TecMundo Games: Muitos jogadores de Mortal Kombat também experimentam a série Injustice por ser da mesma produtora. Alguma coisa no Injustice 2 te chamou a atenção?

Bruno: Eu gostei que no Injustice 2 mantiveram os golpes dos personagens que estavam no jogo anterior, como com Flash, Batman e Superman. Isso vai fazer com que os que já jogavam o anterior se identifiquem no jogo, além de abrir possibilidade para novos “setups” e combos com os novos personagens.

E também gostei que agora no Injustice 2 é possível defender interações de cenário, o que era impossível no jogo anterior e causava combos absurdos de até 100% de dano.

TecMundo Games: Poderia deixar um recado para quem quer melhorar dentro de Mortal Kombat X e também nos games competitivos?

Bruno: Sempre procure jogar com alguém melhor que você. Isso ajuda demais no desenvolvimento do jogador. E também sempre procure a comunidade do jogo. No caso do MKX, tem o pessoal do Kombat Klub, que sempre tá fazendo transmissões ao vivo e comentando as lutas.

Ou podem falar comigo também na minha fanpage no Facebook que eu vou ter prazer em ensinar. Afinal, eu não cheguei onde estou sozinho!