Já diziam os calejados comentários da internet que 2015 seria um marco para a indústria de video games, com a chegada de jogos bombásticos – muitos deles programados para 2014 e adiados – que marcariam a transição entre gerações. Com mais adiamentos de novos títulos, dessa vez para 2016, pode ser que este ano não seja tão “recheado” quanto todos imaginavam, mas há espaço para uma gama de obras inesquecíveis. E The Witcher 3: Wild Hunt lidera esse rol com folga até aqui.

Em um evento de ponta realizado nessa terça-feira, em São Paulo, a CD Projekt Red mostra que não só tem uma excelente experiência em mãos como também acredita absolutamente no mercado brasileiro, com um investimento pesado feito em marketing, localização do game para o português, eventos e mais.

O BJ esteve presente na ocasião e pôde jogar, no PS4, três horas de um RPG que está verossímil em tudo que foi mostrado até aqui. Nada de downgrades, nada de questões relacionadas a resolução ou coisa do tipo: pegue sua agenda, circule o dia 19 de maio e adiante todas as suas tarefas até lá – inclusive na vida amorosa –, pois você vai entrar num mundinho que tem centenas de horas de aventura lhe aguardando.

A preocupação em atingir um público maior

Diversos membros do panteão da CD Projekt Red estiveram no evento, diretamente da Polônia. Pawel Panasiuk, que é Event Manager na desenvolvedora, Alex Boiret, responsável pelos trabalhos de localização do game, e o português José Teixeira, Sênior VFX Designer, responderam a uma série de perguntas da imprensa e se mostraram empolgadíssimos com a chegada do game no país. Dava pra sentir isso ao conversar com qualquer um deles. Silvio Martins, head de marketing e gerente de relações públicas da empresa para a América Latina, também está otimista com um dos maiores lançamentos do ano.

As três horas que jogamos correspondem absolutamente a tudo aquilo que os fãs aguardam: um RPG denso, tipicamente americano, com um eficiente sistema de diálogos, um combate exemplar, que bebe da fonte do bom e velho hack’n’slash misturado com uma pitada cadenciada da franquia Souls, e poderes de escolha, que definem diferentes caminhos a Geralt de Rívia – mais canastrão do que nunca graças à excelente dublagem de Sérgio Moreno, veterano no mercado (o cara já dublou Tom Cruise, Denzel Washington e outros atores).

Toda a montagem do evento, toda a preocupação em acomodar confortavelmente a imprensa e toda a empolgação da equipe mostra um trabalho cheio de boas energias e confiança no mercado brasileiro – afinal de contas, quem esperava que um jogo da magnitude de The Witcher 3, com uma infinidade de textos e centenas de falas, seria localizado no nosso idioma em sua totalidade?

Sim, a CD Projekt Red está apostando suas fichas no país e acredita em nosso mercado. Não se trata de uma “opção”; se trata de uma realidade. “Não é algo que decidimos da noite para o dia. É um estudo de mercado, é uma coisa que observamos faz tempo, pois o Brasil está no mapa. Temos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Polônia... O que mais? Só em São Paulo temos 12 milhões de habitantes. Tem país inteiro com número menor que esse. Faz sentido lançar [jogos] aqui, o jogador brasileiro é empolgado, curte bastante”, contou Silvio Martins ao BJ.

Três horas inesquecíveis. Nunca jogou The Witcher? Não se preocupe

Antes de mais nada, esteja ciente de que há SPOILERS a seguir, pois vamos tratar diretamente da experiência com o jogo e tentar descrever alguns pontos com riqueza de detalhes, inclusive sobre a história.

O jogo começa com um sonho de Geralt, e daí já nasce a preocupação da CD Projekt Red em contextualizar o jogador marinheiro de primeira viagem ao universo de The Witcher. O sonho funciona como uma espécie de flashback e mostra Geralt interagindo com Ciri ainda criança, personagem secundária que se torna jogável em um determinado momento da trama.

O bruxo pratica algumas técnicas de combate com a garota e, para isso, pula, rola, se esquiva, usa magias e realiza outras acrobacias que inserem o jogador nos comandos de jogo. Assim como os dois primeiros, há uma certa complexidade em dominar o arco de magias, o sistema de alquimia, criação de poções etc., mas a curva de aprendizado de The Witcher 3 é infinitamente superior e absolutamente intuitiva.

Mas isso não significa que o game “dá a mãozinha” a quem é mais hardcore. É possível, por exemplo, pular os tutoriais iniciais e eliminar todos os elementos da interface do jogador. Tudo, tudinho, inclusive mapa com indicadores, barra de energia e até mesmo os objetivos. Há uma opção especialmente para isso no menu. A tela fica sem nada, só com o bruxo, o cenário, os outros personagens e as legendas de falas. Ou seja, a dificuldade está ali para quem for masoquista – ou se considera mais “old-school”.

Pancadaria desenfreada em busca da garota

Após acordar do sonho, que nada mais é do que um tutorial, Geralt sente que Ciri está em perigo e decide partir em busca da garota. Isso porque o sonho termina com o bruxo vendo o cadáver da personagem. Ao despertar assustado e com sua memória completamente recuperada, o protagonista inicia uma jornada em busca da força mortal conhecida como caçada selvagem, que ilustra o subtítulo do jogo (Wild Hunt). Tudo começa na procura por Ciri.

Ele acorda num pântano ao amanhecer, e algumas criaturas dão “bom dia” ao seu sossego. A essa altura, o jogador teoricamente sabe como utilizar o sistema de combate. Basicamente são quatro comandos do quadrante direito de botões: ataque simples, ataque forte, defesa e esquiva. Não se iluda ao pensar que o jogo é fácil: jogamos no Easy e, mesmo assim, as lutas oferecem desafio. É preciso estudar o movimento dos inimigos e atacar pacientemente – mais ou menos como você faz nesse Dark Souls 2 e Bloodborne aí.

O combate está muito mais rápido do que no segundo game. Para fins de comparação, utilizaremos The Witcher 2, que é o mais próximo possível das evoluções que The Witcher 3 apresenta. Menos cadenciado e mais hack’n’slash, o esquema se adapta bem às mãos de qualquer jogador, que ainda tem um leque de magias à disposição.

Assim como o segundo jogo, as magias estão categorizadas numa roda ativada com o L1/LB e podem lançar fogo sobre os inimigos, imobilizá-los temporariamente, diminuir a velocidade de seus movimentos e até mesmo influenciar seus pensamentos – técnica providencial nos diálogos, por exemplo.

A cartilha do RPG americano e a exemplar dublagem em português brasileiro

Após dilacerar as criaturas em combates brutais e sanguinários, Geralt encontra um vilarejo e começa a perguntar pelo paradeiro da garota. Logo aqui entra o fator exploração: cada construção, cada casebre, cada chalé pode ser explorada pelo bruxo, que vasculha vasos, armários e outros objetos para a coleta de itens. Sim, o looting é praticamente “infinito”.

Quase todos os NPCs podem ser abordados. Tudo em português, tudo dublado e tudo esplêndido, numa localização exemplar. A voz de Geralt parece uma “cópia” da versão em inglês: rouca, grave e indiferente, características que refletem muito bem a frieza do bruxo. Na verdade, é uma agradável sinfonia aos ouvidos. Vale a pena jogar em português só por isso. Está pau a pau com a voz em inglês – ou até melhor.

O sistema de diálogos segue a cartilha do RPG americano, deixando as respostas à escolha do jogador. Cada resposta bifurca diferentes desdobramentos, que podem iniciar uma nova quest ou dar novos rumos ao bruxo. The Witcher 3, pasmem, tem 36 finais diferentes!

A boa e velha “briga de bar”, um Grifo muito cobiçado e um gigantesco mundo aberto

Nada como alguns sujeitos mal-encarados, um bar caindo aos pedaços e um bruxo canastrão para ilustrar o ambiente perfeito a uma briga de bar. É claro que quando Geralt entra numa taverna, ele é visto a olhos tortos, e alguns pinguços decidem mexer com o bruxo. Desnecessário dizer como isso termina, certo? Cabe a você decidir se vai entrar na provocação ou agir com frieza e ignorar os insultos.

Após um prazeroso vai e vem deslumbrando um vasto mundo aberto – que chega a ter trechos vazios, naturalmente, talvez em função da imensidão do mapa –, Geralt chega a Nilfgaard e, lá, conversa com um rei bastante mimado. O monarca diz que só ajuda o bruxo com a informação de que ele precisa se o protagonista trouxer a cabeça de um Grifo.

Durante o trajeto até a criatura, diversos NPCs aparecem com problemas diversos. Um lojista, por exemplo, teve sua carruagem derrubada por monstros e pede ajuda a Geralt. Cada quest costuma ter uma recompensa – mas isso não é uma regra. Às vezes, vai do seu feeling pessoal ajudar alguém de graça ou não.

Só que... Não deu tempo de chegar até o Grifo! Após duas horas de jogatina, Pawel Panasiuk, o Event Manager da CD Projekt Red, perguntou se eu não queria pular para um trecho mais avançado da trama, com um Geralt mais poderoso – de nível 15 – e uma quest de longa duração. Essa missão se bifurcava em dois finais diferentes, cada qual com consequências que interferem diretamente na trama geral do jogo. Nela, inimigos maiores, como “ursos-humanos”, se mostraram desafiadores, mesmo com o jogo configurado no Easy.

Quer dificuldade? Então tome

Aliás, o jogo tem quatro modos de dificuldade: Fácil, Normal, Difícil e Sombrio. A própria equipe recomendou que nós jogássemos na menor dificuldade porque o jogo está difícil. Recomendação aceita e seguida: sim, como já mencionamos nesta matéria, The Witcher 3 está difícil, especialmente no combate. Sem paciência não se vai a lugar algum, e cada inimigo requer esquivas diferentes, defesas e reflexos. Atacar a esmo resulta em morte instantânea.

O modo Sombrio promete ser uma espécie de “Insane Mode” e trará morte permanente, mais ou menos como no pior modo de Diablo 3 e o DLC Escape from the Durgesh Prison, de Far Cry 4. Isso só reforça o caráter “universal” que a CD Projekt Red quer imprimir no jogo, que tem o claro intuito de agradar gregos e troianos.

Contagem regressiva: 19 de maio!

O hype é nosso pastor e nada nos faltará. The Witcher 3: Wild Hunt será lançado no dia 19 de maio para PlayStation 4, Xbox One e PC – totalmente em português e com direito a monstruosas edições de colecionador, que chegarão oficialmente ao Brasil.