O ano de 2016 certamente foi atípico para os fãs de carteirinha da franquia Assassin’s Creed, já que foi o primeiro desde 2009, quando AC II saiu, em que um grande título da série não chegou ao mercado. Além disso, ele também marcou a estreia do primeiro filme live-action da marca – pelo menos nos Estados Unidos, já que aqui o longa só chega em 12 de janeiro.

Ainda assim, até mesmo um apaixonado pela franquia como eu consegue admitir que a fórmula dos jogos vinha se tornando insatisfatória. Por mais que Syndicate seja um ótimo game e tenha corrigido muitos dos erros de Unity, a promessa de renovação e de um respiro para a série é mais do que bem-vinda e contribui muito para que as expectativas para o próximo título aumentem bastante.

Várias fontes revelaram possíveis detalhes do próximo jogo

Em meio a tudo isso, é claro que vários boatos sobre o futuro game foram surgindo, incluindo o nome do projeto: Assassin’s Creed Empire. Entre eles, uma série de informações de fontes de confiança da imprensa internacional foram se juntando a detalhes revelados no 4chan por um suposto desenvolvedor envolvido no projeto e nos permitem ter uma boa ideia do que esperar. Obviamente, nada está talhado em pedra até que a Ubisoft faça o anúncio oficial, mas isso é o que sabemos sobre o título até agora:

Na terra dos faraós

A versão internacional do site Kotaku é reconhecida por ter sido uma das primeiras a vazar informações corretas a respeito de Assasin’s Creed Unity e Syndicate antes mesmo dos jogos serem anunciados. Agora, cinco fontes distintas da publicação indicam que o próximo título da série será situado no Egito, o que se soma a alguns outros aspectos para fortalecer o rumor de que o próximo título da franquia nos levará para a terra dos faraós.

O primeiro deles é o fato de que a Ubisoft já realizou pesquisas com seus fãs para saber quais localidades gostariam de ver em um AC, e o Egito teve destaque entre as respostas. Além disso, o diretor criativo de Assassin’s Creed IV: Black Flag, Adhraf Ismai, chegou a expressar interesse em usar esse cenário durante uma entrevista em 2013 – e, segundo o suposto desenvolvedor no 4Chan, a equipe por trás de Empire é a mesma de ACIV:BF. O país chega até a aparecer em emails hackeados de funcionários da Abstergo em BF como um dos possíveis destinos que poderiam ser explorados.

Imagem supostamente vazada dos menus do jogo reforça a temática egípcia

Mais recentemente, no ano passado, uma suposta imagem do novo game em produção reforçou a temática egípcia. Por fim, a possibilidade de um jogo no Egito também surge com base nas próprias versões passadas. Um dos momentos finais de Assassin’s Creed: Revelations – alerta de SPOILERS, caso você não tenha terminado o game de 2011 – mostra que um dos filhos de Altair, Darim, levou um dos artefatos da Primeira Civilização para Alexandria, uma grande cidade antiga do Egito.

Um mundo maior

De acordo com o suposto desenvolvedor, o mapa de Empire deve ser cerca de três vezes maior do que o Black Flag e, diferentemente do título focado no mundo dos piratas, não seria necessário passar por telas de loading para carregar as cidades. Caso o Egito realmente seja o cenário de escolha, é possível imaginar que boa parte dos ambientes será constituída por amplos desertos.

O mapa seria três vezes maior que o de Black Flag e teria vários ambientes diferentes

No entanto, não é só disso que o Antigo Egito era feito. As margens do rio Nilo possuiam sua própria densidade de fauna e flora e também serviram de base para a construção de cidades densas e povoadas. Uma noção de amplitude e isolamento nos desertos deve servir de constraste para as áreas populosas – sem falar, é claro, na exploração de tumbas, pirâmides e afins que certamente devem estar presentes.

E para que a locomoção por esse vasto mundo não seja puro tédio, o suposto desenvolvedor falou que a equipe de Empire pretende trazer os cavalos de volta para a franquia. Além disso, também será possível usar barcos – bem mais rudimentares que os de Black Flag, é claro – para navegar pelo Nilo e por trechos do mar Mediterrâneo. A fonte fala que chegou a se cogitar adicionar partes da Grécia, mas isso acabou cortado.

Liberdade criativa

A quantidade de documentos históricos inquestionáveis a respeito do Antigo Egito é bem pequena, o que faz com que o período seja bastante nebuloso para os historiadores. Muito do que sabemos sobre a época vem de informações geradas a partir de interpretações acadêmicas de ruínas e artefatos. Por esse mesmo motivo, a Ubisoft ficaria menos amarrada à precisão histórica e, assim, teria mais liberdade na hora de contruir a narrativa de AC Empire.

A menor quantidade de documentos históricos sobre o Egito Antigo dá mais liberdade criativa para os desenvolvedores

SPOILERS sobre os jogos da série Chronicles a seguir. Ao coletar todos os códigos espalhados pelos jogos ACC: China, India e Russia, temos acesso a um vídeo que mostra que a Abstergo está prestes a concluir o chamado Project Phoenix, por meio do qual pretendiam reconstruir o DNA dos membros da Primeira Civilização, os chamados Isu. Dessa forma, usar essas informações genéticas permitiria que o próximo game voltasse aos primórdios da humanidade.

Já em AC II, uma sequência secreta nos mostra Adão e Eva, híbridos entre humanos e Isu, fugindo da escravidão a que eram submetidos pelos seus criadores e dando origem à resistência da humanidade. De acordo com o suposto desenvolvedor que vazou informações no 4Chan, o personagem principal de Empire seria um escravo ou ex-escravo, o que se encaixaria muito bem com a premissa de ele ser um dos primeiros híbridos a escapar dos Isu.

O protagonista de AC Empire pode até ser um híbrido entre um ser humano e um membro da Primeira Civilização

A junção da liberdade criativa de uma época com poucos documentos históricos, as portas abertas pelo DNA da Primeira Civilização e os poderes associados a um personagem com traços dos Isu permitiria que a Ubisoft exercitasse fortemente sua criatividade. Isso seria particularmente verdadeiro com relação aos poderes do protagonista.

Geralt do Egito

Ainda de acordo com o suposto desenvolvedor, o personagem principal do próximo jogo não será descolado ou falastrão como praticamente todos os protagonistas da série desde que Ezio surgiu. Como seria de se esperar de um ex-escravo, o herói de Empire deve seguir um estilo mais calado, similar ao de Altair, e demonstrará habilidades únicas.

Entre elas, umas das mais curiosas citadas pela fonte é a possibilidade de você possuir uma espécie de águia de estimação, que poderia ser controlada em alguns momentos. Não há detalhes exatamente sobre como isso aconteceria, mas é possível imaginar que o pássaro funcione de forma similar à coruja de Far Cry Primal, que era usada como forma de ver ambientes de cima e como apoio durante combates.

O personagem principal de Empire pode ter uma águia de estimação, que o acompanharia na aventura

Com relação ao combate e à progressão das habilidades do protagonista, o informante afirma que a Ubisoft estaria apostando em uma pegada similar à de The Witcher 3. Dessa forma, podemos esperar lutas em um estilo mais livre e variado. Fora isso, o parkour e a furtividade devem continuar presentes, mas talvez em menor escala.

E o filme?

O longa-metragem baseado no universo de Assassin’s Creed se difere de outras obras inspiradas em games porque aposta em uma história totalmente inédita, que chega para se somar ao que vimos nos jogos e amplia seu universo. Além de expandir a narrativa, no entanto, o filme deve deixar outros legados para a franquia.

A Animus-garra do filme de Assassin's Creed pode ser inserida em algum game futuro

De acordo com Michael Fassbender, ator e produtor do longa, alguns elementos dos games foram alterados para o cinema e atraíram a atenção da Ubisoft. É o caso da máquina Animus, que no longa ganhou a forma de uma garra, que permite que as pessoas se movam enquanto revivem as memórias de seus antepassados. A desenvolvedora curtiu o conceito e, segundo o ator, está estudando formas de inserir a ideia em títulos futuros.

Melhor ter calma

Por mais que muitos desses boatos sejam reforçados por diversas fontes e pareçam fazer bastante sentido, é inegável que tudo pode mudar antes do lançamento de Assassin’s Creed Empire – se é que esse será mesmo o nome de lançamento do jogo. De acordo com Yves Guillemot, diretor-executivo da Ubisoft, o próximo título da série tem a possibilidade de levá-la a um novo patamar e, para isso, a empresa levará o tempo que for necessário.

“[A franquia] vai voltar quando estiver pronta e quando percebermos que já temos algo bom. [...] Então decidimos usar todo o tempo que fosse necessário para fazer dessa uma experiência fantástica”, disse o executivo em entrevista ao site GameSpot. Dessa forma, existe a possibilidade de que o próximo Assassin’s Creed não saia sequer em 2017. Seja como for, o jeito para os fãs vai ser torcer para que a série entre nos eixos e manter a calma enquanto esperamos.