Sequência do game lançado inicialmente de forma exclusiva para o PlayStation Vita em 2014 (e em seguida convertido para outras plataformas), OlliOlli 2: Welcome to Olliwood é um daqueles títulos em que se pode dizer que a equipe de desenvolvimento “fez sua lição de casa”. O estúdio Roll7 não somente consegue manter os pontos fortes do título original, como adiciona elementos que tornam o segundo capítulo da franquia muito mais atraente.

Em sua base, Welcome to Olliwood mantém exatamente o mesmo padrão de seu antecessor: o jogador deve usar seu skate para cruzar 50 fases com diferentes níveis de dificuldade. Fácil em um primeiro momento, logo essa tarefa ganha complexidade conforme você se depara com desafios que vão de latas de lixo postas em seu caminho até poços repletos de lava borbulhante.

Essa variedade de paisagens é permitida graças ao novo cenário adotado pela Roll7: uma recriação fictícia de Hollywood e do set de seus estúdios. Além de evitar que o jogador se sinta cansado de ver sempre os mesmos fundos de tela, essa solução justifica a inclusão de desafios bastante inventivos e variados.

Um game mais convidativo

Quem já jogou o OlliOlli original vai se acostumar quase que automaticamente à jogabilidade da sequência. Enquanto o controle analógico é usado para iniciar truques, o botão X serve tanto para acelerar a movimentação do personagem quanto para assegurar que ele vai pousar em segurança após a realização de sequências complexas — o momento em que o jogador o pressiona é essencial para aumentar sua pontuação.

Apesar dessa familiaridade, Welcome to Olliwood se mostra mais convidativo que seu antecessor ao apresentar um design de fases mais competente — que diminui o “fator frustração” do título original — e ao introduzir de maneira gradativa novos comandos. Entre as novidades que mais devem agradar aos jogadores está o “Skatepark”, local onde é possível treinar livremente manobras essenciais até que você tenha domínio completo sobre elas.

Ao menos durante as fases iniciais, o título se preocupa em ensinar quais comandos você deve saber antes de poder se aventurar pela próxima fase. Como a maioria dos bons games do mercado, o domínio dessas ferramentas básicas surge de maneira intuitiva, enquanto os comandos mais complexos exigem um nível de comprometimento alto para que você consiga utilizá-los adequadamente.

A principal mudança de OlliOlli 2: Welcome to Olliwood fica por conta da introdução dos chamados “manuais”. Essa novidade permite aumentar a duração das combinações utilizadas, tornando mais fácil alcançar objetivos que exigem uma pontuação alta ao mesmo tempo em que adicionam um novo nível de complexidade às mecânicas do jogo.

Para completar, o game permite que você reinicie qualquer uma de suas fases com um simples apertar de botão — processo que ocorre de forma imediata. Com isso, em vez de se focar no fracasso que acaba de acontecer, em questão de instantes o jogador já está pronto para tentar passar novamente pelo desafio que acabou travando seu avanço.

Apresentação renovada

Outro fator em que OlliOlli 2 se mostra superior a seu antecessor é no quesito visual. Embora ainda apresente uma perspectiva 2D lateral, o título abandonou o acabamento pixelado adotado originalmente pelo estúdio Roll7.

Essa mudança se reflete em um jogo com elementos mais bem definidos no qual os elementos do cenário aparecem de forma clara e dificilmente se misturam. Isso é especialmente importante para o jogador, visto que um leve deslize pode significar a necessidade de recomeçar desafios do zero — algo especialmente comum na dificuldade mais avançada.

Assim como no primeiro título, destravar novas fases em OlliOlli 2 depende somente de chegar inteiro até o final do cenário atual — isso no nível de dificuldade mais básico. Cada um dos níveis disponíveis apresenta cinco desafios opcionais que, vencidos, liberam a versão “Pro” do cenário, com objetivos ainda mais desafiantes.

Para destravar completamente todo o conteúdo do jogo, você ainda vai ter que lidar com a dificuldade “Rad”, que apresenta desafios que só os especialistas no jogo parecem capazes de vencer. Por motivos de clareza, esclareço que sequer cheguei perto de vencer os 250 níveis necessários para destravar esses desafios durante a realização da análise.

Tudo isso contribui para que OlliOlli 2 tenha uma longevidade surpreendente, especialmente para quem adora “platinar” games. A vantagem nesse sentido é o fato de o jogo em nenhum momento desagradar quem procura uma experiência mais casual, visto que suas fases dificilmente exigem pouco mais de um minuto de atenção até você completá-las cumprindo o básico necessário para isso.

Portátil ou console?

Outro ponto em que OlliOlli 2 se destaca em relação a seu antecessor é o fato de o jogo chegar de forma simultânea ao PlayStation 4 e ao PlayStation Vita — com direito ao sistema Cross Save entre plataformas. Para completar, ambas as versões do game fazem parte do pacote PlayStation Plus de março, o que significa que eles saem “de graça” para quem é assinante.

Embora as diferenças entre as versões sejam mínimas, durante nossos testes preferimos a experiência proporcionada pelo console de mesa. Além do uso de uma tela maior permitir ver os cenários de maneira mais fácil, os analógicos do controle Dual Shock 4 se mostraram uma alternativa mais bem adaptada às exigências do título.

Vale a pena?

Mais divertido e muito menos frustrante que seu antecessor, Olli Olli 2: Welcome to Olliwood é um bom exemplo de como uma sequência deve ser feita. O título aprimora a experiência de seu precursor em todos os sentidos, oferecendo uma diversão que pode ser tratada tanto de forma casual quanto hardcore — o que resulta em dezenas de hora de diversão.

Infelizmente, durante nossa análise não foi possível testar o modo multiplayer “Combo Rush”, que deve ser adicionado pela Roll7 em uma atualização futura do jogo. No entanto, a experiência para um jogador já é mais do que suficiente para considerar o título uma bela adição à sua biblioteca de aquisições em 2015.

OlliOlli 2: Welcome to Olliwood foi adquirido pelo redator Felipe Gugelmin para a realização desta análise