Gameplay BJ

A série Resident Evil está em constante mutação, apesar das reclamações dos fãs mais xiitas. A primeira grande mudança veio em 2005, quando os controles foram completamente transformados e a franquia assumiu ares de game de ação com o lançamento do quarto título. Agora, com Resident Evil 6, a Capcom está disposta a mudar as coisas mais uma vez.

No maior game da franquia – em escopo e número de membros envolvidos na produção –, a empresa reúne personagens consagrados, como Leon, Chris e Ada, em um único título. Mais do que isso, conta uma história que se passa ao longo de meses e em diversas partes do globo comandada por controles completamente inéditos para a franquia.

Videoanálise

Resident Evil 6 é um dos maiores lançamentos do ano, sem dúvida alguma. Mas será que ele tem o que precisa para ser um candidato a melhor título de 2012?

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O retorno de velhas estratégias

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Se você é um dos que reclamam do foco majoritariamente na ação e tiroteio dos mais recentes games da série Resident Evil, saiba que a Capcom pensou em você. A não ser que você seja totalmente purista e um saudosista absoluto dos primeiros jogos da série, conseguirá sentir ecos de muita coisa que tornou a saga um sucesso.

Isso acontece principalmente durante a campanha protagonizada por Leon Kennedy, na qual enigmas, sustos e momentos de progressão lenta são parte integrante do pacote. Ao lado desses quesitos, estão também as cenas frenéticas e combates alucinantes.

Assim como em todo o game, a munição e os itens de cura não são abundantes, obrigando o jogador a gerenciar esses fatores constantemente. Há, também, diversas situações em que o protagonista se vê diante de uma situação bem típica do antigo Resident Evil: será que é melhor correr e arriscar ser atacado ou o melhor é acabar com os inimigos e gastar balas que podem ser úteis mais tarde?

O desafio elevado se estende também às campanhas de Chris e Jake e, ao contrário dos games mais recentes da série, deixam o jogador no limite. Apesar de estar sempre no controle de agentes bem treinados e pessoas superpoderosas, você nunca se sentirá seguro e, provavelmente, passará todo o game apreensivo com o que vem a seguir.

Muito o que fazer

Se o pânico de uma cidade devastada e os combates contra zumbis são o foco dos cenários de Leon, Chris e Jake aparecem com segmentos voltados para públicos completamente diferentes. O protagonista de Resident Evil 5 retorna em meio a uma guerra constante que remete até mesmo a Gears of War, enquanto o “filho de Wesker” tem momentos de combate corpo a corpo e cenas absurdas que fazem uso de suas habilidades sobre-humanas.

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Todos os fãs da franquia, com certeza, escolherão um cenário preferido entre os três principais. Mas uma coisa é indiscutível: Resident Evil 6 é um dos títulos mais variados da saga, com opções para todos os gostos e personalizações capazes de tornar o game único para cada jogador.

A diversidade do game não se resume apenas às campanhas principais, mas também estão presentes nos modos Agent Hunt e Mercenaries, com jogadores na pele de inimigos ou matando monstros em busca de pontuações. Os eventos que serão disponibilizados na rede ResidentEvil.net são apenas a cereja de um bolo que manterá você satisfeito por muito tempo.

Legendas

Resident Evil 6 também é o primeiro título da franquia a contar oficialmente com legendas em português. Esse quesito já faz com que o game ganhe muitos pontos entre os brasileiros já que, dessa vez, será possível entender plenamente toda a trama intrincada do game e desvendar os principais segredos da saga sem apelar para tradutores.

A localização não é perfeita e conta com diversos erros de sentido ou tradução. Soldiers of fortune são traduzidos literalmente para “soldados da fortuna”, enquanto o correto seriam mercenários. O mesmo vale para o dash, que em português aparece como “arremeter”. São falhas que podem até mesmo afetar a compreensão de quem joga, mas não significam que o trabalho deva ser desmerecido como um todo.

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Perdendo o foco

A grande mudança na jogabilidade de Resident Evil 6 trouxe também o seu principal problema. Os controles completamente renovados e, mais do que nunca, voltados para quem gosta de games de tiro em terceira pessoa surgem acompanhados de uma câmera que simplesmente não se importa com o jogador e se move de forma errática.

Em diversos momentos, a visão do jogador é desviada para pontos específicos do cenário, mesmo que ele esteja sob fogo inimigo. Em outros, a câmera invade paredes e bloqueia completamente a cena, impedindo que se enxergue o que está acontecendo na tela. Bugs assim, associados ao desafio alto do título, são capazes de deixar qualquer um maluco.

O novo capítulo da franquia de horror também assume tons simplesmente confusos. Na tentativa de passar a impressão de um ambiente dinâmico e rico, a Capcom criou situações em que explosões, veículos e inimigos podem matar o jogador sem que ele nem mesmo saiba de onde estão vindo os ataques. Enquanto ele tenta posicionar a câmera para enxergar o que está acontecendo, o personagem já está no chão e a clássica tela de game over já está começando a aparecer.

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Para completar, a grande quantidade de QTEs tira o controle das mãos do jogador a todo momento e, em diversas situações, apresentam grandes erros de programação. É comum ver um prompt de comando aparecendo na tela por menos de um segundo, impedindo que o jogador veja o que precisa ser pressionado e acabe morrendo ou sofrendo dano por bobeira.

Inconstância gráfica

O desenvolvimento de Resident Evil 6 representou não apenas um desafio interno para a Capcom em termos de escopo, mas também uma dinâmica totalmente nova, com times de produção separados lidando com segmentos específicos do título. Para o jogador, isso aparece de forma totalmente clara: existem momentos em que o game realmente parece ter sido desenvolvido por diversas pessoas diferentes.

A impressão passada pelo game é que, na tentativa de abrir o foco da série, os detalhes acabaram sendo deixados de lado. São diversos os momentos em que texturas em baixa resolução convivem ao lado de personagens com alta contagem de polígonos ou que somos apresentados a NPCs que mais parecem saídos de um título da série The Sims.

Devagar com tanta informação

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A ideia de trazer uma história global como nunca antes vista na série também trouxe uma dinâmica de enredo inédita para a franquia, só que no mau sentido. Se nos games anteriores praticamente todas as ações do jogador pareciam levar a trama adiante, o mesmo não vale para Resident Evil 6, que tem momentos em que a ação acontece apenas para constar, sem influências universais.

Tal característica cria um ambiente destoante. Uma cena de corte é mostrada e apresenta diversos elementos narrativos interessantes, mas antecede uma sequência de jogo na qual o objetivo é correr atrás de cachorros ou zumbis sequestradores. A sensação é de que a Capcom está protelando as revelações com situações desnecessárias.

A trama em si, apesar de intrincada e complexa, é apresentada de forma rasteira. Os grandes desenvolvimentos são deixados para os files de texto liberados no menu do game, enquanto certas situações que poderiam gerar alguns dos momentos mais épicos da saga são exibidas como se tivessem saído do nada. Fruto da ausência de um desenvolvimento de roteiro por meio de cutscenes e elementos do próprio game.

vale a pena?

Resident Evil 6 pode frustrar as expectativas dos fãs. Se você caiu no hype e acreditou piamente em todas as promessas de revolução feitas pela Capcom, é bem possível que o título fique abaixo das suas expectativas. Mas não estamos dizendo que o jogo é ruim. Pelo contrário, ele é muito bom. Mas não chega a ser ótimo, como deveria.

Em meio a tantas mudanças, inovações e ideias inéditas, o time de desenvolvimento da empresa falhou em questões básicas, que afetam diretamente a jogabilidade e a sensação de controle que o jogador tem perante o mundo do jogo. Resident Evil 6 é um grande game, com problemas de dimensão semelhante.