Escolher um personagem favorito em um seriado ou uma história em quadrinhos nem sempre é uma tarefa fácil. No caso de The Walking Dead, as coisas ficam ainda mais difíceis devido ao número de rostos que vão e vêm, mas uma coisa é certa: dificilmente você passaria por um grupo de fãs sem que um deles mencionasse Michonne como sua predileta.

Sabendo disso, a Telltale Games decidiu dar destaque à personagem antes de nos brindar com a continuação da história de Clementine. Diferente dos outros games, a história vista aqui será contada em apenas três episódios, com foco num momento dos quadrinhos no qual Michonne deixa o grupo de Rick na tentativa de exterminar alguns fantasmas de seu passado.

Será que ela encontrará as respostas que procura? Quem realmente estará ao seu lado nessa jornada e, sobretudo, em quem ela pode confiar? Essas e outras questões serão respondidas em The Walking Dead Michonne, começando em In Too Deep.

ATENÇÃO: o texto que você acompanha a seguir será o mais livre possível de spoilers para não estragar a sua experiência caso queira jogar o título apenas quando todos os episódios estiverem disponíveis.

Nem tudo é o que parece

Antes de tudo, é bom informar que In Too Deep não fará nenhuma associação com o que aconteceu nos dois games (ou temporadas, se assim preferir) anteriores. Logo, tenha em mente que todos os rostos encontrados neste jogo são novos, cada um tendo um motivo para se manter vivo no mundo infestado pelas criaturas do além.

Suas aventuras aqui começam quando Michonne está caminhando por uma floresta e relembra um momento torturante de seu passado. Para dar essa ideia, a Telltale Games decidiu apresentar tais eventos misturando cenas do passado e do presente, de forma a amarrar cada ação de um jeito que já leva a marca registrada da produtora.

Esse início, na verdade, serve como uma espécie de tutorial. Aqueles que já se divertiram nos games anteriores certamente vão se lembrar dos comandos e terão a oportunidade de observar cada detalhe do cenário, enquanto aqueles que nunca tiveram contato com o estilo da Telltale Games podem se adaptar com a jogabilidade nesses primeiros minutos.

Aliás, um ponto positivo é que não há nenhum problema em começar a apostar nos jogos da série iniciando por esse. Ele possui uma ligação mais direta com os quadrinhos, mas, caso você tenha apenas assistido ao seriado (como é o meu caso), conseguirá acompanhar o que está aqui sem grandes problemas.

Moldando a personagem

Um lado positivo nas séries criadas pela Telltale é que você tem a oportunidade de dar ao protagonista o perfil que quiser. Na temporada anterior, por exemplo, Clementine podia ser uma criança mais dócil, desbocada ou um meio-termo entre as duas opções. No caso de Michonne, as coisas não são diferentes.

Quem acompanha os seriados ou os quadrinhos, por exemplo, pode seguir pela aventura mantendo a essência da personagem (que é um pouco durona quando precisa, mas sempre preocupada com os que estão ao seu redor), mais calada ou com um coração extremamente bondoso e aberto a abrigar os problema alheios.

Entretanto, lembre-se que, no universo de The Walking Dead, toda ação tem uma reação. Neste game, por exemplo, você vai perceber que em determinados momentos é bom mentir para se manter sem muitos machucados, mas em outras situações dizer a verdade pode ser essencial para conquistar a atenção de alguns personagens. Quais deles? Isso nós deixamos para que você descubra.

Aliás, não pense em Michonne como uma personagem fraca, pois ela tem força e habilidade suficientes para eliminar os zumbis sem grandes complicações. Apesar de não estar acompanhada de sua fiel katana, ela possui uma lâmina afiada e pronta para "matar de novo" os comedores de cérebro com um ou dois golpes bem aplicados.

E o elenco secundário?

Como em outras bandas, uma boa história não é feita apenas com ambientação e um protagonista carismático. Logo, é preciso dedicar algumas linhas para falar um pouco sobre as caras novas que aparecem por aqui.

Além de Michonne, somos apresentados a dois grupos diferentes ao longo da jornada. Ambos possuem personagens com traços bem marcantes, mas há um problema aqui (e até mesmo ponto com o qual a Telltale Games talvez precise tomar um pouco de cuidado): de bater o olho em alguns deles, você vai automaticamente entender quais são suas funções no desenrolar da trama.

Isso deixa as coisas um pouco previsíveis, já que é possível imaginar aquilo que cada um deles vai fazer. Durante a jornada, não errei meu palpite sobre nenhum dos personagens com os quais a protagonista interagiu, e mesmo suas atitudes ficaram dentro daquilo que imaginei (tem para todos os gostos: o durão que não liga para ninguém, o molenga, o bonachão e por aí vai).

Entretanto, isso não tira totalmente o brilho do enredo do game, que começa num ritmo bom e dá pistas de que tem tudo para continuar e concluir essa saga de forma extremamente favorável. Aliás, é bom estar preparado, pois as cenas do próximo episódio certamente vão deixá-lo ansioso para ver como a história vai se desenrolar com a chegada da segunda parte, agendada para acontecer em algum momento deste mês (a terceira vem em abril, fechando o arco começando em In Too Deep).

Vale a pena?

Não há dúvidas no que diz respeito à qualidade da Telltale Games em contar histórias. Se você curtiu os títulos anteriores, pode adquirir The Walking Dead: Michonne – Ep. 1: In Too Deep sem medo. Mesmo sendo previsível entender a função de cada um dos personagens apresentados aqui, tenha certeza de que seu dinheiro será bem investido.

Talvez as únicas falhas do game sejam o fato de que em alguns momentos a câmera vai atrapalhar a sua movimentação e que, diferente do que foi visto em The Walking Dead: Season Two, você terá bem menos momentos de ação neste episódio (talvez alguns não enxerguem isso como um problema, enquanto outros vão concordar com esse ponto).

Ainda assim, In Too Deep dá um bom pontapé inicial para a história de Michonne que será contada pela produtora. Além do mais, ter o auxílio de Robert Kirkman, o autor das histórias em quadrinhos, no desenvolvimento do roteiro é algo que ajuda a dar um pouco mais de credibilidade ao que é apresentado aqui. Recomendado.

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Esse jogo foi gentilmente cedido pelo Steam para a realização desta análise.